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FIAPE- O certame enaltecedor do concelho de Estremoz

Decorreu de 27 de abril a 2 de maio mais uma edição da Feira Internacional de Agropecuária e Artesanato de Estremoz (FIAPE), sendo que já é a 32ª edição.

O certame com mais popularidade de Estremoz, que enaltece o nosso concelho pela sua fama, conseguida através da demonstração de tudo o que a cidade tem para mostrar entre vinhos, gastronomia, artesanato, agricultura, turismo entre outras valências que o concelho reúne.

O seu cartaz traz-nos artistas com elevada popularidade, os quais são distribuídos pelos primeiros quatro dias e, no último, a tradicional Tarde Alentejana que junta grupos de cantares e ranchos folclóricos oriundos de aldeias e vilas circundantes.

Em geral, avaliada de forma positiva, mas transpondo agora uma opinião mais pessoal, existe falhas na organização da feira e dos seus espaços. Durante a noite, é claro que os pavilhões têm de ser fechados para descanso de quem está nas exposições, mas, como na maior parte dos casos é afirmado, podia ser um pouco mais tarde. Identicamente, seria possível com o número de funcionários existentes na feira, os pavilhões ficarem parcialmente abertos, só mesmo para o acesso às casas de banho visto que também é restrito aquando o fecho dos pavilhões. Do mesmo modo, é limitado o espaço para entrada e saída só para um portão, o que provoca a confusão.

 

Por último ponto, dado que é uma feira de agropecuária e artesanato, o espaço demonstrativo do comércio de automóveis estremocenses é de uma dimensão um pouco exagerada por o evento em questão.

Em suma, o presidente do município afirma que, “o certame tem um balanço positivo” não sabendo ainda o número de visitas estimado e a receita adquirida. O município pretende melhorar o pavilhão de gastronomia, junto ao palco principal, que é uma tenda, com a construção de um equipamento definitivo aplicando-se já no próximo ano, da mesma forma, adquirir alguns espaços para criar mais estacionamento perto do evento e melhorar as cozinhas do Pavilhão Multifunções, nomeadamente a sua ampliação e a extração de fumos. Esperemos então que, na FIAPE 2019 sejam melhorados os aspetos anteriormente referidos bem como os prometidos pelo município.    

Tiago Grilo

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Descentralização Territorial, Política e Administrativa – O Futuro Para Portugal e para o Concelho de Estremoz

A recente crise financeira que abalou o mundo há cerca de uma década revelou-se uma intempérie que causou diversas alterações socioeconómicas que consciencializou os governantes para as reais necessidades da administração pública. Hoje em dia, Portugal caracteriza-se por um modelo burocrático de atuação e uma excessiva centralização do poder e da tomada de decisão, no entanto, têm surgido algumas tentativas fogazes de mitigar este problema, o referendo para a regionalização de 1998 foi um passo importante, no entanto, a sua reprovação adiou ainda mais o reforço do poder local.

O primeiro-ministro António Costa tem sido uma das vozes mais importantes na defesa da descentralização, já deixou obra feita com a Reforma Administrativa de Lisboa nos anos da sua governação na Câmara de Lisboa que não deixou de ser um processo inovador na nossa realidade nacional e que veio a quebrar diversos paradigmas que existiam anteriormente, e o que é certo é eu dotou as freguesias lisboetas de um maior número de competências e de recursos que as outras em Portugal não têm.

O futuro aponta para o fortalecimento da autonomia local, é um tema que está na ordem do dia, e que está a causar cada vez mais “burburinho” na esfera pública, anteveem-se tempos de discussão acesa, no entanto, a sua inevitabilidade pressupõe que o debate incida sobre a distribuição territorial e nos recursos que serão necessários para desenvolver políticas locais competentes e assinaláveis.

Pode olhar-se para este processo como uma oportunidade para desenvolver o interior, um dos maiores problemas da política nacional é o distanciamento dos políticos da tomada de decisão, (sendo muito mais que um afastamento geográfico), e cabe aos governos locais conceber resoluções importantes sobre os seus territórios, visto que são estes que conhecem as reais necessidades e a sua proximidade garante uma resolução mais eficaz dos problemas.

O caso de Estremoz vem de encontro a tantos outros que se verificam em todo o país, uma cultura de planeamento fraca, baseada em processos de tomada de decisão que são carentes de horizontalidade e que se apoiam num “hard power” incisivo, e numa prospeção a curto/médio prazo, é cada vez mais importante criar redes colaborativas e conexões intermunicipais que permitam o desenvolvimento e que incluam os diversos atores locais, no entanto, para se concretizarem estas premissas é necessário que exista vontade política para tal e a descentralização política e administrativa advém-se como importante para mudar mentalidades e fazer com que os governantes locais não se encostem “à sombra da bananeira” e contribuam de facto para um desenvolvimento local favorável.

Mauro Carrapiço

 

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